Em alusão ao Dia Municipal de Combate ao Feminicídio, lembrado em 26 de janeiro, a Prefeitura de Maringá, por meio da Secretaria de Políticas Públicas para Mulheres, realizou no sábado, 24, uma ação de enfrentamento à violência contra as mulheres na Praça da Catedral, ao lado do Banco Vermelho. O ato foi marcado por comoção, respeito e escuta, com o objetivo de acolher familiares e reforçar a mobilização da sociedade no combate à violência.
A cerimônia contou com a presença de familiares de mulheres vítimas de feminicídio e de uma sobrevivente, que compartilharam suas histórias e transformaram a dor em um chamado coletivo por justiça, atenção e proteção.
A secretária de Políticas Públicas para Mulheres, Olga Agulhon, destacou que transformar o luto em luta é uma forma de honrar a memória de quem partiu e proteger o futuro de quem fica. “Queremos que a mulher tenha liberdade para ser protagonista da própria vida, com respeito e segurança. Em busca desse objetivo, criamos nove novos projetos de conscientização em 2025, reforçando a importância de não se calar e divulgando os canais de atendimento às mulheres em situação de violência”, afirmou.
A presidente do Conselho Municipal dos Direitos das Mulheres, Donária Riso, ressaltou que estar à frente do Conselho é um compromisso com a vida das mulheres. “Apoiamos integralmente as ações da Semulher. Estamos juntas nessa luta. Maringá tem uma rede extraordinária de atendimento, que este evento seja mais um ponto de luz para mulheres que vivem ciclos de violência”, disse.
A vice-prefeita Sandra Jacovós reforçou a importância da participação dos familiares das vítimas. “Os depoimentos de vocês são impactantes e reforçam ainda mais a necessidade de conscientizar a população. Que possamos levar deste momento força para intensificar o trabalho e avançar no enfrentamento ao feminicídio”, destacou. Representando a Câmara de Vereadores, o vereador Pastor Sandro Martins também enfatizou a importância da conscientização de toda a sociedade sobre o tema.
Transformar luto em luta – Mãe da bailarina Maria Glória Poltronieri Borges, a Magó, vítima de feminicídio em 2020, Daisa Poltronieri lembrou que o Dia Municipal de Combate ao Feminicídio foi instituído em 26 de janeiro, dia em que sua filha foi assassinada. “Essa data é fruto de uma ação coletiva. A verdadeira transformação acontece quando uma cidade, um estado e um país se levantam com um objetivo comum: colocar fim a essa guerra contra a vida das mulheres”, afirmou.
Luciana Marinelo destacou o legado deixado pela irmã, a soldado Daniela Marinelo, vítima de feminicídio em 2023. “Temos que tentar salvar vidas. Precisamos estar atentos à mulher que se cala e se afasta da família. Ela pode estar vivendo um relacionamento abusivo e precisa de ajuda”, disse.
Celina dos Santos Cabral, mãe de Jéssica Daiane Cabral de Oliveira, vítima de feminicídio aos 30 anos, relembrou a última conversa com a filha. “Eu disse para ela pedir medida protetiva, mas ela sentia medo e o medo a calou para sempre. Agora, nós que ficamos, precisamos lutar e pedir justiça. Hoje, faço um pedido a todas as mulheres: não se calem”, relatou.
Sobrevivente de uma tentativa de feminicídio, Thaís Lacerda, 47 anos, reforçou a importância da conscientização e da atitude coletiva. “Quem está dentro de um ciclo abusivo muitas vezes não percebe. Procure ajuda no primeiro sinal de violência verbal, psicológica ou física. E para a sociedade, eu peço atitude. Muitas pessoas dizem que não se metem em briga de casal, mas isso pode salvar a vida de uma mulher”, afirmou.
Encerrando a programação, a bailarina Ana Júlia Sarri, da Academia Marcia Angeli, apresentou a dança ‘Indomável.’ Na sequência, a cantora Nany Becker e banda interpretaram músicas com temática feminina, em um gesto simbólico de acolhimento às famílias e homenagem às vítimas.

