O setor de mercados de previsão — onde investidores apostam no desfecho de eventos que vão desde finais de séries de TV até eleições — está sob intenso escrutínio. O motivo foi um pagamento de US$ 400.000 realizado na plataforma Polymarket, logo após a captura de Nicolás Maduro.
O lucro expressivo de um investidor anônimo, obtido poucas horas antes do anúncio oficial da operação pelo presidente Donald Trump, levantou suspeitas de uso de informação privilegiada. Enquanto críticos apontam a falta de transparência, defensores veem nessas plataformas um termômetro mais preciso que as pesquisas tradicionais.
O que são e como funcionam os “contratos de evento”
Diferente das apostas esportivas comuns, essas plataformas operam com os chamados “contratos de evento”.
- A lógica: Os contratos são negociados entre US$ 0 e US$ 1.
- O preço: Reflete a probabilidade (0% a 100%) de algo acontecer. Se o evento ocorre, o contrato passa a valer US$ 1; se não, zera.
- A vantagem: Investidores podem realizar lucros antecipados ou mitigar perdas vendendo seus contratos conforme as chances do evento mudam em tempo real.
Os gigantes do setor e a conexão política
O cenário mudou drasticamente no governo Trump. Anteriormente proibida de operar nos EUA pela CFTC, a Polymarket recebeu autorização para retornar. A concorrência também está acirrada:
- Kalshi: Principal rival, já regulamentada e focada em política e esportes.
- Novos Players: Gigantes como DraftKings, FanDuel e a corretora Robinhood entraram no jogo.
- Fator Político: Donald Trump Jr. atua como conselheiro tanto na Polymarket quanto na Kalshi, enquanto a rede Truth Social planeja sua própria integração com esse mercado.
Uma brecha na regulamentação
Atualmente, esses mercados são supervisionados pela CFTC (Comissão de Negociação de Futuros de Commodities) e não pelas leis estaduais de jogos de azar. Isso cria uma “zona cinzenta” jurídica:
- Estados x Federação: Estados como Texas e Califórnia, onde apostas esportivas são proibidas, veem cidadãos usando esses contratos para contornar a lei.
- Falta de pessoal: A CFTC enfrenta cortes de verba e falta de comissários, dificultando a fiscalização de crimes como o insider trading.
- Resposta Legislativa: O deputado democrata Ritchie Torres já apresentou um projeto de lei para restringir o envolvimento de funcionários públicos nessas apostas, visando proteger a integridade de decisões políticas.
Apesar dos riscos de vício e perdas financeiras, especialistas afirmam que o “trem já partiu”: os mercados de previsão vieram para ficar e devem se tornar uma fonte central de dados — e polêmicas — na economia moderna.



