O governo de Donald Trump oficializou, nesta quarta-feira, a saída dos Estados Unidos de dezenas de entidades globais. A medida inclui o fundo de população da ONU e o tratado fundamental que estabelece as negociações climáticas internacionais.
A decisão foi selada por uma ordem executiva que suspende o apoio a 66 organizações, agências e comissões. Segundo o comunicado da Casa Branca, a ação ocorre após uma revisão minuciosa sobre a eficácia do financiamento externo e a defesa da soberania nacional.
Instituições consideradas redundantes e “woke”
Muitos dos alvos são órgãos ligados às Nações Unidas que tratam de temas como migração, trabalho e meio ambiente. O governo classificou essas frentes como promotoras de agendas de diversidade e ideologia “woke”.
O secretário de Estado, Marco Rubio, justificou a medida de forma incisiva:
“O governo constatou que essas instituições são redundantes, mal administradas, dispendiosas ou uma ameaça à soberania e à prosperidade de nossa nação.”
O impacto no combate às mudanças climáticas
O ponto mais sensível da retirada é a saída da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC). Este tratado, assinado em 1992, serve como base para o Acordo de Paris.
- Impacto global: Especialistas alertam que a ausência dos EUA — uma das maiores economias e emissores de gases do mundo — desestimula outros países a manterem seus compromissos ambientais.
- Críticas internas: Gina McCarthy, ex-conselheira climática, chamou a decisão de “míope e insensata”, afirmando que o país perde a chance de influenciar investimentos bilionários no setor.
Lista de cortes e a disputa com a China
Além das agências da ONU, a lista inclui entidades como:
- Instituto Internacional para a Democracia e Assistência Eleitoral;
- Fórum Global de Contraterrorismo;
- Organização Internacional de Madeiras Tropicais.
Foco estratégico: Apesar do isolacionismo em certas áreas, funcionários do governo afirmam que o dinheiro do contribuinte será redirecionado para agências onde os EUA competem diretamente com a influência da China, como a União Internacional de Telecomunicações e a Organização Internacional do Trabalho.
Histórico de rupturas
Este movimento consolida o padrão “América Primeiro” já visto anteriormente. Os EUA já haviam suspendido o apoio a:
- OMS (Organização Mundial da Saúde);
- UNESCO (Agência cultural);
- UNRWA (Refugiados palestinos).
Para analistas de relações internacionais, a mensagem de Washington é clara: a cooperação multilateral agora só ocorrerá sob os termos estritos dos Estados Unidos.



