Havana amanheceu sob forte tensão nesta segunda-feira. Com bandeiras a meio mastro, o governo cubano decretou luto oficial pela morte de 32 agentes de segurança em solo venezuelano e iniciou um período de incerteza profunda sobre sua própria sobrevivência econômica e política.
O fim da aliança Caracas-Havana
A queda de Nicolás Maduro e sua prisão pelas forças dos EUA representam um golpe direto no coração do sistema cubano. Por décadas, a Venezuela foi o principal suporte da ilha:
- Segurança: Agentes cubanos atuavam diretamente na guarda presidencial de Maduro.
- Energia: Cerca de 35 mil barris de petróleo eram enviados diariamente a Cuba, suprindo um quarto da demanda local.
- Geopolítica: A Venezuela era a maior aliada ideológica e financeira de Havana na região.
Pressão do governo Trump
O governo Trump não esconde que a deposição de Maduro é um passo estratégico para forçar uma mudança de regime também em Cuba. “Vai cair de vez”, declarou o presidente americano sobre o sistema cubano. A estratégia consiste em cortar o cordão umbilical entre as duas nações, isolando a ilha de seus principais fornecedores de energia.
“Os apagões já são significativos com a Venezuela enviando petróleo. Imagine um futuro sem isso. Seria uma catástrofe”, afirma o economista Ricardo Torres, da American University.
O “fator petróleo” e o isolamento regional
A situação de Cuba é agravada pela pressão diplomática dos EUA sobre outros fornecedores. O México, que chegou a enviar 22 mil barris diários, reduziu drasticamente o fornecimento para 7 mil após negociações com o Secretário de Estado, Marco Rubio. Especialistas acreditam que, sob o olhar atento de Washington, nenhum país da região se arriscará a substituir a Venezuela como provedor de combustível para Havana.
Reação popular
Enquanto autoridades pedem que a comunidade internacional se posicione contra o que chamam de “terrorismo de Estado”, a população cubana oscila entre o desespero e a resistência.
- Impacto imediato: O temor de um apagão total e da escassez extrema de alimentos domina as ruas de Havana.
- Resistência: Setores mais leais ao governo, como a moradora Regina Mendez, de 63 anos, afirmam prontidão: “Me deem um rifle e eu vou lutar”.



