A Prefeitura de Maringá, por meio da Secretaria da Pessoa com Deficiência (Seped), em parceria com o ICOM, socialtech brasileira referência em inclusão e comunicação acessível, lançou nesta quinta-feira, 29, a plataforma de interpretação em Libras ‘Mãos que Falam’. A iniciativa amplia a acessibilidade para pessoas surdas ao oferecer serviço de interpretação em Libras em atendimentos públicos, consultas médicas, eventos, reuniões e demais serviços municipais.
Com a plataforma, ao chegar a um serviço público, a pessoa surda poderá acessar um QR Code e iniciar uma videochamada com um intérprete de Libras do ICOM. A interpretação ocorrerá em tempo real, com tradução de Libras para o português e do português para Libras, garantindo a comunicação entre a pessoa surda e o ouvinte.
Para Isadora Maria Maria dos Santos Grunndermann, pessoa surda e estudante de Letras da Universidade Estadual de Maringá (UEM), a plataforma vai melhorar significativamente os atendimentos à população surda no município. “O ‘Mãos que Falam’ vai trazer mais qualidade nos atendimentos em Maringá, ampliar o uso da Língua de Sinais e reduzir a demanda enfrentada pelas pessoas surdas no dia a dia. Muitas vezes, quando uma pessoa ouvinte entra em contato com um surdo, fica sem saber como agir. Por isso, acredito que o ‘Mãos que Falam’ vai ajudar muito”, celebrou Isadora, com o auxílio da intérprete Jeane Patrícia de Lima Rosa.
A contratação da ferramenta foi realizada com recursos de emenda parlamentar do deputado federal Sargento Fahur no valor de R$ 260 mil. O recurso viabilizou a contratação da plataforma de intermediação de conversação que conecta, em tempo real, servidores públicos e cidadãos surdos. “Agradeço a todas as pessoas que fizeram esse trabalho relevante acontecer, ampliando o acesso aos serviços públicos. É uma ferramenta que esperamos que possa servir de exemplo também para o setor produtivo, que ao aproveitar a tecnologia pode ampliar as oportunidades de trabalho para este público”, destacou o prefeito Silvio Barros.
O secretário da Pessoa com Deficiência, Marcos Aurélio da Silva, ressaltou o empenho da equipe para o lançamento do serviço. “Com a dedicação dos nossos servidores, hoje qualquer servidor poderá atender melhor as pessoas surdas. O serviço representa garantia de acesso pleno à cidadania, eliminando barreiras de comunicação e reduzindo o isolamento enfrentado por pessoas surdas nos atendimentos públicos”, afirmou.
O deputado federal Sargento Fahur destacou a eficiência da Prefeitura na implantação da plataforma. “Trouxemos a emenda e vimos acontecer. Isso estimula nosso trabalho na requisição de verbas. O recurso será usado em benefício do cidadão, que é contribuinte e que deve ser incluído”, reforçou.
Lucas Lima, representante do ICOM, contou como surgiu a iniciativa, com tradução do intérprete Vinícius Dea. “A ideia surgiu a partir da experiência de um integrante surdo do ICOM, o Araújo, que, ao conhecer uma plataforma de interpretação remota em viagem aos Estados Unidos, identificou a necessidade de trazer essa tecnologia para o Brasil. A partir disso, a plataforma foi criada com o objetivo de garantir acesso à comunicação a pessoas surdas em todo o País, ampliando a acessibilidade e superando as limitações da disponibilidade local de intérpretes”, enfatizou.
Para a vereadora Akemi Nishimori, “ações como essa significam desenvolvimento verdadeiramente inclusivo, que não deixa ninguém para trás, e colocam Maringá como referência”, disse. “Aproveito a oportunidade para informar que a Câmara Municipal está em fase de licitação para garantir a tradução das sessões em Língua de Sinais, ampliando o acesso da população surda”, disse.
A representante da ‘Maringá em Sinais’, Daniele Bózoli, explicou a escolha das letras que identificam visualmente a plataforma, com apoio do intérprete Vinicius Déa. “O sinal une as letras L e M. O L faz referência a uma tela, que representa o meio de comunicação, e o M representa a cidade de Maringá. A união desses dois elementos simboliza uma tela por meio da qual será possível se comunicar, conectando as pessoas”, detalhou. “Com uma comunicação clara, pessoas surdas e ouvintes poderão ter o mesmo acesso às informações, seja na área da saúde, do esporte ou na vida social como um todo”, acrescentou.
Presenças – Também participaram do evento de lançamento a presidente da Associação dos Surdos de Maringá (Asumar), Marília Nogueira; a presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência (CMDPD), Isabela Militão; e a chefe do escritório regional da Secretaria do Desenvolvimento Social e Família (Sejuf) em Maringá, Silvana Arruda.
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