A Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) e o Buscapé, principal comparador de preços do País, anunciaram parceria para acompanhar a variação de preços dos eletroeletrônicos no comércio online. O Índice de Preços Fipe/Buscapé vai monitorar, mensalmente, 47 categorias de produtos divididos em cinco grupos: celulares e telefones, informática, vídeo e áudio, eletrodomésticos e eletroportáteis.
“O indicador é uma ferramenta valiosa para entender as tendências do mercado de
eletroeletrônicos, beneficiando tanto os consumidores quanto as empresas que atuam
nesse setor, além do público geral. O mercado de eletroeletrônicos movimentou cerca
de R$ 160 bilhões em 2022 e as compras no comércio eletrônico crescem de forma
consistente. Queremos contribuir para a competitividade e desenvolvimento do
segmento com as nossas pesquisas econômicas”, afirma o prof. Sergio Crispim,
pesquisador da Fipe, responsável pelo novo índice.
A metodologia adotada para a produção do Índice de Preços Fipe/Buscapé é baseada na
análise de dados da base de preços do Buscapé no varejo eletrônico. O indicador
possibilita uma visão minuciosa da dinâmica de preços do mercado de eletroeletrônicos
por meio do monitoramento contínuo de uma amostra robusta de cerca de 9 mil
produtos e mais de 2 milhões de preços por mês.
“A parceria com a Fipe é uma evolução natural do nosso negócio, e vai permitir que mais
pessoas acompanhem a dinâmica de preços deste mercado. Hoje, nossos clientes já
utilizam nosso site para encontrar a melhor oferta, acompanhando o histórico de preços
dos últimos 12 meses e comparando a variação em nossas mais de 400 lojas parceiras, e 150 milhões de ofertas. A Fipe, respeitada instituição de estudos econômicos, nos
ajudou a tangibilizar esses dados, em um estudo robusto que vai servir de termômetro
do varejo online para este setor”, explica Maurício Cascão, CEO da Mosaico, dona da
marca Buscapé.
Primeiro relatório
No primeiro relatório, o Índice Fipe/Buscapé de Eletroeletrônicos mostra uma variação
de preços negativa de 0,58 na comparação de setembro com agosto desde ano, na
contramão dos índices gerais de preços. No mesmo período, o IPCA foi de 0,26% e o IPC
da Fipe foi de 0,29%. Essa queda é uma tendência que já vem sendo verificada em prazos mais longos. Na comparação mensal, a maior queda foi registrada pelos celulares, de -1,67%, seguida de produtos de informática, com -1,29%, e áudio e vídeo, com -1,04%. Os eletrodomésticos subiram 1,09% de agosto deste ano para setembro, enquanto os eletroportáteis subiram 0,19%.
Na comparação anual, de setembro de 2023 sobre igual mês de 2022, o índice
Fipe/Buscapé mostrou que os preços dos eletroeletrônicos tiveram variação de -6,9%.
Os produtos com quedas de preço mais significativas foram monitor (-13,5%),
PC/computador (-12,5%), celulares (-12,1%), notebook (-11,7%), TV (-10,7%) e fritadeira
elétrica (-8,1%). Por outro lado, ar-condicionado (7,3%), ventilador e circulador (3,9%) e fogão (1,9%) apresentaram alta no período.
Considerando um período maior, de janeiro de 2022 a setembro de 2023, a queda dos
preços de eletroeletrônicos foi ainda mais expressiva: 10,1%. A deflação segue caminho
contrário ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e ao Índice de
Preços ao Consumidor (IPC) da Fipe, que no mesmo período registraram inflação de
9,5%. Os grupos que apresentaram maiores reduções foram celulares e telefones (-18,8%), vídeo e áudio (-16,5%) e informática (-15,4%).
Também no período de janeiro de 2022 a setembro de 2023, produtos como
PC/computador (-20,2%), celulares (-18,8%), TV (-18,0%), notebook (-15,8%) e monitor
(-14,6%) apresentaram as maiores quedas de preços. Em contrapartida, ar-condicionado
(10,9%), ventilador e circulador (6,2%), lavadora de roupas (5,9%), fogão (5,4%) e
geladeira (3,7%) aumentaram de preço.
Para Crispim, a queda de preços dos eletroeletrônicos no Brasil reflete uma tendência global derivada da redução de custos possibilitada por produção massificada baseada em tecnologias cada vez mais avançadas, além de concorrência intensa no nível da produção e distribuição. Este processo é retroalimentado por uma demanda crescentemente estimulada por lançamentos cada vez mais frequentes de produtos inovadores e pelas próprias quedas de preços.